terça-feira, 26 de outubro de 2010

Origens do Processo Fotográfico


1. A CÂMARA ESCURA: O PRINCÍPIO DA FOTOGRAFIA
A fotografia não tem um único inventor, ela é uma síntese de várias observações e inventos
 em momentos distintos. A primeira descoberta importante para a fotografia foi a Câmara
Escura. O conhecimento do seu princípio ótico é atribuido, por alguns historiadores, ao
chines Mo Tzu no século V a.C., outros indicam o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.)
como o responsável pelos primeiros comentários esquemáticos da Camera Obscura.

Sentado sob uma árvore, Aristóteles observou a imagem do sol, em uma eclipse parcial,
projetando-se no solo em forma de meia lua ao passar seus raios por um pequeno orifício
entre as folhas de um plátano. Observou também que quanto menor fosse o orifício, mais
nítida era a imagem.

Séculos de ignorância e superstição ocuparam a Europa, sendo os conhecimentos gregos
resguardados no oriente. Um erudito árabe, Ibn al Haitam (965-1038), o Alhazem, observa
um eclipse solar com a câmara escura, na Corte de Constantinopla, em princípios do século
XI.

Nos séculos seguintes a Câmara Escura se torna comum entre os sábios europeus, para a
observação de eclipses soloares, sem prejudicar os olhos. Entre eles o ingles Roger Bacon
 (1214-1294) e o erudito hebreu Levi ben Gershon (1288-1344). Em 1521, Cesare Cesariano,
discípulo de Leonardo da Vinci, descreve a Câmara Escura em uma anotação e em 1545,
surge a primeira ilustração da Câmara Escura, na obra de Reiner Gemma Frisius, físico e
 matemático holandês.

No século XIV já se aconselhava o uso da câmara escura como auxílio ao desenho e à pintura.
 Leonardo da Vinci (1452-1519) fez uma descrição da câmara escura em seu livro de notas
sobre os espelhos, mas não foi publicado até 1797. Giovanni Baptista della Porta (1541-1615),
cientista napolitano, em 1558 publicou uma descrição detalhada sobre a câmera e seus usos
 no livro Magia Naturalis sive de Miraculis Rerum Naturalium. Esta câmara era um quarto
estanque à luz, possuía um orifício de um lado e a parede à sua frente pintada de branco.
Quando um objeto era posto diante do orifício, do lado de fora do compartimento, a sua
imagem era projetada invertida sobre a parede branca.

Em 1620, o astrônomo Johannes Kepler utilizou uma Câmara Escura para desenhos
 topográficos. O jesuita Athanasius Kircher, erudito professor de Roma, descreveu e ilustrou
 uma Câmara Escura em 1646, que possibilitava ao artista desenhar em vários locais,
transportada como uma liteira e em 1685, Johan Zahn descreve a utilização de um espelho,
para redirecionar a imagem ao plano horizontal, facilitando assim o desenho nas câmaras
portáteis.


           
Esquerda - Câmara Escura tipo caixão e reflex, usada por cerca de 150 anos, antes do aparecimento da Fotografia.
Direita - Câmara escura de mesa - 1820

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